quinta-feira, 8 de julho de 2010

não sei dar tchau.



Despedir-se de alguém é algo extremamente normal né? NÃO, NÃO, NÃO, mil vezes NÃO.
quando eu entrei naquele corredor, sim aquele corredor branco, pálido, cheio de pessoas de branco correndo pra cá e pra lá, eu senti a mesma sensação que a três anos eu não sentia, a sensação de estar indo pro inferno, de estar adentrando as portas do inferno, um inferno gelado, mórbido, com anjos de branco, meus olhos só viam aquela porta. 314, nunca eu vou esquecer esse número, assim como nunca esqueci o 807, assim como eu não esqueço as coisas e pessoas que me marcam, e essa marca é inapagável, é a dor da perda, é a dor de ver aquela pessoa que a 20 dias entrou andando e sorrindo , com um pouco de falta de ar, agora, cheia de tubos, amarrada, de ver a minha mãe abraçada nela, chorando que nem criança, ok tenho todos os problemas do mundo com a minha mãe, mas aquela cena, me tirou do mundo brigas com a mãe, e me levou para o mundo, NUNCA QUERO TE PERDER, MÃE. Ao ver minha mãe chorando, por estar perdendo a mãe dela, me fez perceber, que eu não sei lidar com despedidas, que eu não sei lidar com a falta, a dor da perda do meu vô voltou como uma faca no meu coração, e a espera pela morte da minha vó agora, atravessou outra, ao lado dessa a qual permanece a três anos, cravada no meu peito, cada vez mais funda, cada entrada no antigo quarto dele, a cada foto, a cada aniversário que ele não tá mais comigo, e eu estou me "preparando" para mais uma faca me atravessando o peito eternamente, agora da minha vó, aquela que eu amo tanto, que sempre me defendeu, que sempre me trazia chocolates, aquela que hoje eu abracei e eu tenho certeza que ela sentiu que eu tava ali, quando eu abracei e disse que a amava, os batimentos se acalmaram, bem diferente de mim.
Quando eu ouvi do médico especialista: "é câncer, não tem o que fazer, vamos só evitar o sofrimento." eu respirei fundo, a vontade de socar ele, pra ele dizer que estava brincando, que era pegadinha, que ela estava fingindo pra me assustar, como ela fazia quando eu era pequena, eu respirei fundo, bem fundo, com a mão no peito dela e sorri com os olhos cheio de água, dizendo. :"vai passar vó, eu prometo, tudo sempre passa."
Virei as costas e fechei aquela porta, aquela maldita 314.

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